segunda-feira, 11 de abril de 2011

Assim no Céu, como na Terra - Capítulos 8 e 9

                                   CAPÍTULO 8 – Na Casa Nova


           Amélia estava bastante recuperada e já não precisava mais permanecer no hospital. Agora ela podia finalmente se mudar para um novo lar e ficou muito contente ao pensar em como seria morar na nova casa.
─ Posso levar alguma coisa daqui?
─ Não precisa, tudo o que você quiser vai encontrar lá.
─ Lá também é abafado?
─ Não, o clima lá é ótimo. Muito aconchegante.
─ O carro já chegou?
─ Carro? Nós vamos a pé.
─ A pé? Mas que pobreza! Não deu nem pra chamar um táxi?
─ Não vamos precisar disso, afinal é bem perto não é mesmo?
─ Está bem então. Vamos logo.
Mas, ao chegar, Amélia e Irmã Átila tiveram uma surpresa:
─ Nossa, até que enfim encontramos esse lugar. Pensei que não ia chegar nunca! Nunca andei tanto na minha vida!
─ Andar faz bem a saúde. E além de tudo, podemos aproveitar melhor a vista.
─ Sei, sei. Mas cadê a pessoa que iria nos receber? Não estou vendo ninguém aqui...
─ A casa está fechada. Acho que ela ainda não chegou.
─ Mas que brincadeira é essa? Depois dessa caminhada toda e nem mesmo tem viva alma nesse lugar!
─ Calma, Irmã. Vamos aguardar um pouco, logo virá alguém.

Após algum tempo, apareceu um senhor com cabelos grisalhos, já rareando. Tinha olhos bem vivos e o semblante sereno. Estava usando um avental e carregava uma enxada na mão.
─ Irmã Atila! O que faz por aqui?
─ Bom dia, Seu Inácio. Cuidando dos jardins como sempre?
─ Sim, isso para mim é uma ótima terapia.
─ Vim trazer essa irmã, que irá passar algum tempo na casa de Dona Zefinha.
─ Sim, a chave da casa está comigo. Ela me mandou entregá-la a sua nova hóspede, pois precisou atender a um caso de emergência.
─ Ela é mesmo uma pessoa muito prestativa.
─ Fique à vontade, Irmã. Se precisar de mim, eu moro naquela casinha ali em cima, mas estou sempre cuidando dos jardins.
─Você não me é estranho. Se não me engano, meu pai teve um empregado com o seu nome.
─ É mesmo? Sim, agora me lembro! Você é a Amelinha!
─ Sou eu mesma! Bem, um pouco mudada, mas ainda sou eu. Por onde anda meu pai? Tem visto?
─ Não, senhora. Ele não mora nessa colônia. ─Ao notar que Amélia já estava se entrosando, Irmã Átila se despediu:
─ Tenho que ir agora, Irmã. Deixarei você com seu novo amigo.
─ Quando a verei novamente?
─ Quando quiser, basta me ligar. Mas de qualquer forma, sempre vamos nos ver no hospital, quando você for cuidar de Angelina, não é mesmo?

Ainda durante à tarde, Dona Zefinha chegou e encontrou Amélia no sofá, cochilando:

─ Boa tarde! Sinto muito por não ter podido recebê-la.
─ Bem, você demorou tanto que acabei dormindo.
─ Em dois dias da semana eu vou ao pavilhão infantil para dar aula às crianças. Mas, hoje eu precisei resolver um caso de emergência.
─ Caso de emergência? No pavilhão infantil? Nem sabia que existiam crianças por aqui.
─ Na verdade, aqui é muito semelhante à Terra. Havia um caso complicado com uma criança.
─ Encontrei um conhecido por aqui.
─ Mesmo? Quem?
─ Seu Inácio, há um tempo atrás ele trabalhou para meu pai na fazenda.
─ Ah sim, ele é uma ótima pessoa. Sinta-se em casa, daqui a pouco vou preparar uma sopinha. Você ainda vai precisar se alimentar por algum tempo.
─ Ótimo, estou morrendo de fome.
─ Mas logo você vai conhecer novas fontes de energia. E não precisará mais de alimento sólido ou líquido.
─ Mas que coisa, se fosse assim também na Terra, eu não precisaria lavar pratos.
─ Na Terra também há outras fontes, mas as pessoas não estão adaptadas a isso ainda.
     
       Após a sopa, Amélia e Zefinha foram conversar enquanto esperavam o sono.
Zefinha contava que tinha uma filha na Terra e que estava muito preocupada, pois ela só pensava em se divertir, sem medir as consequências. Rezava muito pela filha, mas não estava vendo uma maneira de ajudá-la.

─ Você já foi fazer uma visita a sua filha na Terra?
─ Não, ainda não tive oportunidade.
─ Como assim?
─ Sempre tenho chamados de emergência daqui, não posso me afastar por muito tempo. Mas pedi ao pai dela, que mora em uma colônia mais adiantada, para ir orientá-la.
─ Eu não teria paciência. Se fosse você, iria logo.
─ Às vezes precisamos nos preparar primeiro, pois tenho muitos amigos que foram e tiveram um choque ao chegar lá. O ambiente estava totalmente mudado.
─ Quando eu cheguei aqui, só pensava em ir ver a minha família. Insisti tanto, que os venci pelo cansaço. Fui até a uma sala restrita, em que só era permitida a entrada de pessoas especializadas, cheguei inclusive a desmaiar.
─ Mas isso foi muito perigoso, Amélia! Tive uma hóspede há alguns anos atrás que trabalhou nessa repartição, chamava-se Clarice, uma pessoa muito dedicada. Ela dizia que o trabalho lá era muito importante e difícil. É necessário um grande preparo para exercer essa função.
─ Engraçado, Clarice era o nome da minha mãe.
─ Será que era ela?
─ Quem sabe...
Nesse momento, Amélia sentiu muita emoção, ao perceber que a sua mãe também poderia ter estado lá, e que Zefinha era sua amiga.
─ Não fique assim, Amélia, Irmã Clarice está em um lugar ótimo. Ela me mandou vários cartões postais da colônia. É um lugar muito bonito, mas nós não podemos visitar, pois apenas espíritos mais adiantados conseguem chegar. De vez em quando, ela me liga também. Prometeu me fazer uma visita em breve.
─ Isso seria maravilhoso.


CAPÍTULO 9 - Reencontro

        Irmã Amélia acordou mais cedo no dia seguinte, pois precisava ir ao centro de recuperação para ver Angelina.
         ─ Como será que está aquela desmiolada? ─ Se perguntou Amélia.
        Quando chegou lá, encontrou a moça sentada na sala de visitas. Ela estava com uma ótima aparência, nem parecia a mesma:
Amélia? Que bom vê-la!
Nossa, você está ótima! Esqueceu aquela besteira?
Não diga isso. É um amor verdadeiro
Amor, amor, amor... Temos que ver a realidade. ─ Em meio à conversa, Irmã Átila interrompeu, dando notícias sobre a rebelião:
Que ótimo encontrá-las assim tão bem e dispostas. Fiquei sabendo que a rebelião foi contida. Após muito trabalho dos amigos espirituais, conseguimos em parte controlar o conflito. Mas ainda restaram rebeldes, que fizeram algumas desordens e causaram certos acidentes, prejudicando muita gente na Terra. Mas, ao menos conseguimos impedir que coisas piores acontecessem.
Então a rebelião acabou?
Na verdade não, pois já que eles não conseguiram criar uma confusão por meio de desavenças, estão agora querendo causar um desastre natural.
E isso é possível? Quando estava na Terra sempre achei que fossem fenômenos normais, causados pelo clima ou coisas do tipo.
Alguns são, mas outros têm uma origem distinta. Existem moradores de algumas colônias que tem prazer em causar pânico na Terra, assim como em outros planetas. Estão sempre nos dando muito trabalho.
Nossa, deve ser difícil vigiar essa turma.
É algo muito sério, mas no momento eles estão só articulando. Enquanto isso, nós temos que pensar logo no que fazer. Mas ainda não é algo em que vocês possam ajudar.
Que pena, ia dar uma boa lição nesses marginais!

Após a saída de Irmã Átila, Amélia e Angelina foram passear nos jardins do centro de recuperação:
Qualquer dia venho te buscar para fazer um piquenique.
Séria ótimo, mas creio que não posso sair daqui do hospital ainda.
Não tem problema, é só lavar essa sua cara, arrumar o cabelo... Vou dar um jeito em você. Sem falar que aqui daria um ótimo lugar para um piquenique. E aqui perto há varias fontes, esse troço é muito grande, me lembro de quando cheguei, sempre queriam mostrar muitas coisas, mas eu pensava que era só conversa.
Tem razão, esse lugar é muito bonito, nem parece um hospital.
Agora, quando você finalmente puder sair, vai poder ir a vários lugares realmente interessantes para sua idade, em vez de ficar plantada aqui. Vou levá-la ao cinema e depois ao bosque dos namorados, para você arrumar um paquera.
Não sabia que tinha cinema por aqui. Deve ser muito interessante. Mas, não me interesso por esse tal bosque, não pretendo namorar ninguém.
E vai ficar esperando aquele paspalho?
Você é hilária, Amélia.
          Após algumas horas de passeio, Irmã Amélia recebeu um chamado. Era Irmã Átila, avisando que ela precisava receber uma pessoa recém-chegada.
─ Nem me livrei de um, e já me aparece outro bonde!
─ Irmã, tenha paciência. ─ Disse Átila.
Está certo, vou receber essa pessoa com carinho.
Você vai gostar muito dela, também é muito engraçada. E, depois dessa missão, você vai acompanhar Irmã Zefinha à Terra, ela quer muito ver a filha.
Essa não, pra lá de novo?
Anime-se, irá poder visitar sua família também.
É mesmo? Estou ansiosa para revê-los, mas o que será que Dona Zefinha vai querer aprontar por lá?
Bom, isso são assuntos para depois, agora se concentre em atender nossa recém-chegada.
E quem é essa pessoa?
Talvez você já a conheça, pois foi uma atriz famosa na Terra.
Quem será? Espero que não pense que aqui é um palco.
Ela é uma pessoa muito simples, Amélia. Foi muito caridosa.
Então o que estamos esperando? Vamos logo recebê-la.
Ao chegar lá, Amélia, acompanhada de Irmã Átila foi encontrá-la.
Naiara parecia um pouco abatida, não sabia direito onde se encontrava, pensava estar em um hospital, mas sentia algo diferente, uma sensação de muita paz, que não via há anos. Tinha os cabelos brancos, finos e muito lisos, seu semblante era sereno. Embora tivesse a pele um pouco pálida, seus lindos olhos azuis ressaltavam sua beleza, que era muito grande apesar de sua idade.
Estava com muito frio, procurou por seu casaco e não o encontrou, foi quando se deu conta de que não estava com sua bolsa. Pensou, então, que havia esquecido em casa e resolveu ligar para sua filha para pedir que a trouxesse, havia inclusive estranhado a ausência de seus parentes.
Por que será que ninguém veio me visitar? ─ Se perguntou, Naiara.
Ao ver Irmã Átila e Amélia se aproximando, resolveu perguntá-las:
Vocês poderiam me dizer onde posso encontrar um telefone? Eu esqueci minhas coisas em casa e preciso falar com minha filha.
Naiara, que bom tê-la conosco! Eu sou Átila e esta é Amélia, que irá cuidar de você por enquanto.
Estranho, você não parece uma enfermeira... Mas me sinto bem, só quero falar com a minha filha.
Enfermeira? Eu? Pode me chamar de amiga apenas. Mais tarde poderá falar com sua filha, bem mais tarde na verdade. Mas, por enquanto você precisa de repouso, depois temos muito para conversar.
Está bem então, vamos. Mas enquanto descanso, gostaria de assistir a minha novela.
Então, para que ela pudesse relaxar, Irmã Átila deu para Naiara um remédio que a fez pegar no sono.

6 comentários:

  1. Bom dia Verinha.
    Acompanhando a história.
    Bjos

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  2. Boa Tarde !!

    Volto para ler o outro capitulo, mais tarde !!

    estou adorando !!

    Linda tarde !! Mil beijos !!

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  3. Olá Verinha. Vim retribuir sua visita ao Arca. Não vou fazer comentário, pois preciso ler a história desde o começo. Vou fazer isso, com mais calma e depois volto para falarmos a respeito. Beijos.

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  4. Oie..adorei seu blog!
    Está de parabéns fiquei encantada..
    não poderia deixar de te seguir..
    segue tambem?!

    www.jmphotosnet.blogspot.com

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  6. Thankyou Ashraf and every one for visiting my blog.I Hope very peace for you.THANKS.

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